RuralOps

Rastreabilidade Bovina e SISBOV

Entenda como funcionam a rastreabilidade bovina, o SISBOV e o cronograma do PNIB, além dos registros que o produtor deve organizar.

A rastreabilidade bovina permite acompanhar o histórico de cada animal, do nascimento ao abate. Para isso, a identificação individual é ligada aos registros da propriedade, das movimentações e dos manejos sanitários. No Brasil, o sistema oficial é o SISBOV. Com o PNIB, a identificação individual será ampliada gradualmente para todo o rebanho até 2032.

O que é o SISBOV

O Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (SISBOV) é o sistema oficial de identificação individual de bovinos e búfalos no Brasil. Cada animal recebe um número próprio, vinculado ao cadastro da propriedade. Assim, suas movimentações e seus manejos podem ser registrados na base oficial.

A adesão do produtor é voluntária, exceto quando a obrigatoriedade é definida em ato normativo próprio ou exigida por controles ou programas sanitários oficiais (MAPA — SISBOV, atualizado em 15/07/2026).

A norma em vigor é a Instrução Normativa MAPA nº 51, de 1º de outubro de 2018, que aprova a norma operacional usada para embasar a certificação oficial brasileira para países que exigem rastreabilidade individual de bovinos e búfalos (DOU de 08/10/2018). É essa norma que sustenta, por exemplo, o protocolo de exportação para a União Europeia, no Anexo III (MAPA/SDA).

Para certificar uma propriedade no SISBOV, participam do processo três agentes: uma certificadora credenciada pelo MAPA, que acompanha o produtor e emite o certificado de conformidade; o serviço veterinário oficial, que realiza a auditoria; e a base de dados oficial, na qual os animais são registrados. Depois de aprovada, a propriedade passa a ser um ERAS — estabelecimento rural aprovado no SISBOV e pode atender aos mercados que exigem rastreabilidade individual.

O que muda com o PNIB

Por muitos anos, a rastreabilidade individual foi adotada principalmente por produtores que atendiam a mercados com essa exigência, sobretudo na exportação. O PNIB — Programa Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos amplia esse alcance e estabelece um cronograma nacional para identificar individualmente bovinos e búfalos.

A Portaria SDA/MAPA nº 1.331, de 21 de julho de 2025, instituiu o cronograma de implementação do PNIB em quatro etapas, com início em julho de 2025 e conclusão até o fim de 2032 (CNA, 24/07/2025).

Prazos do PNIB: quem é atingido e o que precisa estar registrado

Prazo Quem O que registrar
A partir de 1º/07/2025 MAPA Criação da Base Central de Dados e do sistema federal que recebe a identificação dos animais
Até 31/12/2026 Órgãos estaduais de defesa agropecuária Adequação dos sistemas estaduais para integração ao sistema nacional
2027 a 2029 Produtores com animais vacinados contra brucelose e com animais em protocolos privados homologados Identificação individual desses animais e registro no sistema oficial
2030 a 2032 Demais produtores, de forma progressiva Extensão da identificação individual ao restante do rebanho
A partir de 1º/01/2033 Todos Somente animais com identificação individual registrada poderão ser movimentados

Fonte: Portaria SDA/MAPA nº 1.331, de 21/07/2025, conforme divulgado pela CNA e pela Acrimat, ambas em 24/07/2025.

Na prática, dois pontos desse cronograma merecem atenção:

A primeira etapa aproveita um manejo que o produtor já realiza. A partir de 2027, a identificação começa pelos animais vacinados contra brucelose. Essa vacinação já é obrigatória e tem calendário próprio: bezerras bovinas e bubalinas entre 3 e 8 meses de idade, em dose única, aplicada por médico veterinário cadastrado no serviço veterinário estadual, com marcação a ferro candente ou nitrogênio líquido no lado esquerdo da face (MAPA — PNCEBT, atualizado em 02/06/2026). Quem mantém o controle da vacinação por animal ou lote, com a data do manejo, já tem uma parte importante das informações que serão usadas no PNIB.

O prazo de 2032 não é a última data do cronograma. A ampliação termina em 2032, mas a regra para movimentação começa em 1º de janeiro de 2033. A partir daí, animais sem identificação individual registrada não poderão ser movimentados.

SISBOV e PNIB são a mesma coisa?

Não. Apesar de estarem relacionados, eles têm funções diferentes:

  • SISBOV é o sistema oficial de identificação individual que existe hoje, de adesão voluntária salvo obrigatoriedade específica, e é o que sustenta a certificação para mercados que exigem rastreabilidade — o caminho do ERAS e da certificadora (MAPA).
  • PNIB é o programa nacional que estende a identificação individual a todo o rebanho brasileiro, com cronograma definido em 2025 e conclusão em 2032 (CNA).

Quem já tem uma propriedade ERAS mantém a identificação individual e o histórico dos animais, portanto já trabalha com boa parte das informações que o PNIB levará ao restante do país. Para os demais produtores, o cronograma dá tempo para organizar o cadastro e os registros do rebanho por etapas.

O que o comprador pede na hora da compra

Os documentos exigidos variam conforme o destino dos animais, o estado e as regras do comprador. De modo geral, frigoríficos, compradores de reposição e leilões podem solicitar:

  1. A GTA correspondente à movimentação, emitida pelo órgão estadual de defesa agropecuária.
  2. A situação sanitária da propriedade e o comprovante dos manejos obrigatórios, com data.
  3. A identificação dos animais — de manejo, no mínimo; individual oficial, quando o destino exige rastreabilidade.
  4. O histórico do lote: origem, tempo na propriedade e movimentações anteriores.

Não basta ter realizado o manejo. Quando o comprador exige comprovação, é preciso apresentar um registro com data e, quando aplicável, o documento correspondente.

Como se preparar sem correr atrás do prazo

A implantação do PNIB será gradual, mas não é preciso deixar a organização para a última hora. Estes quatro cuidados já ajudam na rotina da fazenda:

  1. Mantenha o cadastro do rebanho atualizado. Registre número, sexo, categoria, data de nascimento ou de entrada e lote atual. Sem isso, nenhuma identificação individual se sustenta.
  2. Registre o manejo sanitário no ato, com data e responsável. A vacinação contra brucelose é o gancho da etapa de 2027; ela já é obrigatória hoje.
  3. Registre as movimentações e guarde as GTAs. Anote entradas, saídas e vendas. Mudanças internas de lote ou pasto também devem ficar no histórico da fazenda.
  4. Fale com o serviço veterinário estadual e, se o seu mercado exigir rastreabilidade individual, com uma certificadora credenciada. As orientações de implantação podem variar conforme o estado e o perfil do rebanho.

Esses cuidados também melhoram a gestão da propriedade. Com os dados em dia, fica mais fácil saber quantos animais há no rebanho, onde estão e quais manejos foram realizados.

O que o RuralOps faz — e o que ele não faz

O RuralOps ajuda a manter organizadas as informações usadas na rastreabilidade: cadastro individual, identificação, manejos sanitários com data e responsável, movimentações e relatórios por período. Os dados podem ser registrados no campo, inclusive sem sinal, e consultados depois para preparar uma auditoria.

O RuralOps não emite certificação SISBOV e não é certificadora credenciada. A certificação é conduzida por uma certificadora credenciada pelo MAPA e auditada pelo serviço veterinário oficial. O RuralOps organiza os registros que o produtor pode apresentar durante esse processo.

Perguntas frequentes

O SISBOV é obrigatório?

Hoje, a adesão do produtor ao SISBOV é voluntária, salvo quando uma norma, um controle ou um programa sanitário oficial exigir a identificação. O PNIB, porém, prevê a identificação individual de todo o rebanho entre 2027 e 2032. A partir de 1º de janeiro de 2033, somente animais identificados poderão ser movimentados.

Qual a diferença entre SISBOV e PNIB?

O SISBOV é o sistema oficial de identificação individual usado atualmente, inclusive na certificação para mercados que exigem rastreabilidade. Já o PNIB é o programa que levará a identificação individual a todo o rebanho brasileiro, conforme o cronograma da Portaria SDA/MAPA nº 1.331, de 21 de julho de 2025.

Quem precisa identificar o gado a partir de 2027?

Pelo cronograma do PNIB, a etapa de 2027 a 2029 alcança os animais vacinados contra brucelose e os incluídos em protocolos privados homologados. De 2030 a 2032 a exigência se estende ao restante do rebanho.

O que acontece em 1º de janeiro de 2033?

A partir dessa data, somente bovinos e búfalos com identificação individual registrada no sistema oficial poderão ser movimentados no território nacional.

Preciso de uma certificadora para participar do SISBOV?

Sim, quando o objetivo é certificar a propriedade. O produtor deve procurar uma certificadora credenciada pelo MAPA e passar por uma auditoria oficial. Se a propriedade for aprovada, ela se torna um ERAS e pode atender aos mercados que exigem rastreabilidade individual.

Rastreabilidade bovina serve só para exportar?

Não. A exportação foi uma das primeiras atividades a exigir esse nível de controle — o protocolo da União Europeia está no Anexo III da IN 51/2018 —, mas o histórico individual também ajuda nas vendas para o mercado interno e na gestão da fazenda.